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David Corso

e Duncan O'Finioan:

Transcrição da Entrevista

Esta página é uma reformatação da versão original publicada no Projeto Camelot.


Uma Amizade Não Convencional:
Duncan O'Finioan e David Corso
Numa entrevista em vídeo

Pahrump, Nevada, janeiro de 2007



Filmado, editado e dirigido por Kerry Cassidy e Bill Ryan

David Corso (DC): De alguma forma o meu nome foi mencionado e o cara disse: "Dave Corso?" E me descreveu e até as tatuagens a Dunc (Duncan O'finion) e disse: "Esse foi o melhor atirador dos Fuzileiros Navais dos E.U.A. no Vietnã." E eu não tenho, absolutamente, nenhum conhecimento disso.

... Ele olha para mim do nada e diz: "Papai, o que você fez no Vietnã? O que você realmente fez?" Essa foi a noite em que os pesadelos começaram.

... E nós estavamos encurralados por um tiroteio extremamente pesado quando este helicóptero aterrizou e estas doze crianças saíram, olharam ao redor, unirão as mãos e houve esse clarão ofuscante.

Duncan O'Finioan (DO'F): E eu me lembro deste homem aqui [aponta para David] me arrastando para fora de um helicóptero em chamas.

DC: Eu chego na minha casa, fecho minhas venezianas, fecho as cortinas, tranco a porta, trago os cães para dentro e pego minhas armas. E nada nunca aconteceu.

DO'F: [rindo] Eu não estou rindo porque eu acho que é engraçado. Estou rindo porque isso é quase exatamente o que eu faria.

 


Início da Entrevista

Kerry Cassidy (KC): "Este é David Lawrence Corso e Robert Duncan O'Finioan. Nós os temos juntos em vídeo pela primeira vez. O nome da patente militar e o número de série. Qual é? Vocês têm um?

DO'F: Eu não tenho um... bom, na verdade eu tenho.

KC: [a David] E você? Não tem?

DC: Não.

KC: Sem nome, patente e... OK.

DC: Patriota. Patriota constitucional e Lei dos Direitos...

KC: E aposentado...

DC: E aposetado pelo setor de telecomunicações.

KC: OK. Estamos em Pahrump, Nevada. Certo?

DC: Na minha humilde casa.

KC: É 2007 e estamos muito felizes de estar aqui.

DC: Estou muito feliz por você estar aqui.

KC: E você tem alguns surpreendentes...

DC: Eu admiro a sua coragem.

KC: Obrigada. E você tem alguns lobos incríveis? Não é mesmo?

DC: Cães americanos nativos.

KC: [ri] Cães nativos da América. Tudo bem. Você também é americano nativo?

DC: Não, fui apenas adotado pela tribo Apache, por um amigo da família.

KC: Fostes?

DC: Sim.

KC: Muito bem. OK, então qual é a sua conexão, logo de cara, com Duncan?

DC: Por volta de três anos, cerca de três ou até quatro anos atrás. Um amigo comum me apresentou a ele dizendo: "Eu tenho amigos que eu quero que você conheça." E eu disse: "Sério?" Então nos encontramos e assim que vi John com Duncan, eu os reconheci.

E foi como se um envelope fosse aberto na minha mente ou uma porta se você preferir. Demorou um pouco para essas lembranças virem à tona, para que eu pudesse descobrir  onde eu os vi - em junho de 1967.

Nós estávamos realmente no Camboja... em uma pequena operação para ajudar a tirar algumas tropas das Forças Especiais americanas de uma conexão ruim. E estavamos encurralados por um tiroteio extremamente pesado quando este helicóptero aterrizou e estas doze crianças sairam, olharam ao redor, deram as mãos e houve esse clarão ofuscante. Elas voltaram ao helicóptero. E na porta do helicóptero estava um cavalheiro em um uniforme verde, como um uniforme do exército, uniforme de campanha.

E nós conversamos com a equipe das Forças Especiais depois e perguntamos: "O que vocês viram?" E tudo o que eles viram foi um clarão ofuscante. E tinha que haver pelo menos 2.000 ou mais [suspira pesadamente] vietcongues, regulares norte-vietnamitas e cambojanos comunistas que foram simplesmente mortos. E isso é... a única coisa que eu me lembro é o clarão ofuscante. Mas havia esse garotinho com um enorme... garoto branco com um enorme...

DO'F: Afro.

DC: Afro, e essa menina, pele muito escura, que estava ao lado dele. E eles entraram no helicóptero e desapareceram. Bom, alguns dias depois, eu estou em Saigon e lá está este senhor novamente, o do helicóptero. E ele não se apresentou. Ele me olhou, eu olhei para ele, ele se virou e foi embora. Mas ele tinha uma insígnia que eu nunca tinha visto antes no ombro.

KC: Você estava nas Forças Especiais?

DC: Eu estava em um grupo que não existia.

KC: Como vocês eram chamados? Boinas Verdes?

DC: Operações Negras.

KC: Eles têm um nome para a sua divisão ou...?

DC: Operações Negras.

KC: Só isso?

DC: Só isso.

KC: Você tinha patente militar antes de você ir para as Operações Negras?

DC: Hum hum.

KC: Como o quê? Você tem liberdade de dizer?

DC: Bom... Eu estava oficialmente ligado à Marinha e meu registro oficial na Marinha não é nada parecido com o que eu estava envolvido.

KC: OK. O que o seu registro oficial da Marinha diz que você era?

DC: Ah, ele diz que eu sou um técnico de radar e fui a escola B, que estive em cinco navios, eu estive em um barco de deslocamento rápido e eu fiz... estive no Vietnã por 14 campanhas.

KC: Agora... E qual é a realidade por trás disso?

DC: Eu gostaria de poder dizer com certeza, mas eu tenho lembranças que estão voltando que eu não posso explicar. Mas Dunc já conversou com você sobre o Projeto Talento.

KC: Então, você está sentindo que fazias parte do Projeto Talento de um outro ângulo?

DC: Eu vou responder a isso da seguinte maneira: Quando minha mãe estava com 87 anos, eu disse: "Mãe, eu tenho essas memórias recorrentes de estar com meu tio durante os verões". Ela me olhou e tinha um sorriso malicioso em seu rosto. [Aponta para a foto na parede] E lá está ela na parede. Ela disse: "Você nunca esteve com seu tio nos verões. Você esteve... distante e você descobrirá isso à medida que envelhecer."

KC: A sua família é patriota? Você sabe, eles estavam no serviço?

DC: Meus irmãos serviram no Corpo de Fuzileiros Navais. Ambos os irmãos serviram. E fui designado para o Corpo de Fuzileiros Navais, mas não há registro oficial disso.

KC: Essa memória voltou quando você conheceu Duncan? Ou depois que conheceste Duncan?

DC: Essa memória retornou a mim várias vezes, mas isso... Quando meu filho tinha 9 anos de idade, ele e eu fomos pescar durante um mês. E nós estavamos no meio do lago Strawberry pescando. Ele está tendo um dia de pesca de enorme sucesso e, claro, eu não estou pegando nada. E ele olha para mim do nada e diz: "Papai, o que você fez no Vietnã? O que você realmente fez?" Essa foi a noite que os pesadelos começaram.

KC: Uau. E de que tipo de pesadelos que você está falando?

DC: Eu gostaria de poder dizer a você, mas eu conversei com meus conselheiros VA muitas vezes e eles disseram: "Fique feliz por você não se lembrar deles, porque o que você está fazendo é lutando de novo nessas batalhas."

KC: OK. Mas eu estou assumindo que parte desse pesadelo... foi ver as crianças no campo. Isso está certo?

DC: Isso não aconteceu até... Duncan e eu falávamos sobre um tempo em que lembrávamos de ter visto um ao outro. E lembramo-nos do mesmo incidente, literalmente, palavra por palavra.

DO'F: Mas para mim, esse incidente em si era como um pesadelo.
Lembro-me de descer do helicóptero. Lembro-me das outras onze crianças. E lembro-me do clarão ofuscante e lembro-me de voltar ao helicóptero. Mas antes que o helicóptero pousasse, após o helicóptero decolar, eu não me lembro de nada.

Em uma memória particular que eu tenho, que é muito intensa... Eu estava em um helicóptero. Eu era um pouco mais velho nessa época. E nós fomos derrubados. Lembro-me de que o helicóptero decolou. Nós não subimos mais do que 3 ou 4 metros do chão. E nós levamos algum tipo de tiro. Eu o chamo de fogo antiaéreo, porque, para mim, se eu estou em uma aeronave eu não me importo se é uma 0,22 ou um morteiro de 90mm, se você está atirando em mim, é fogo antiaéreo. E nós caímos. E lembro-me deste homem aqui [aponta para David] me arrastando para fora de um helicóptero em chamas.

KC: [a David] Você estava no helicóptero, no momento, ou você estava por perto?

DC: Isso, infelizmente, eu não tenho lembrança.

KC: OK.

DO'F: Eu sei que ele não estava no helicóptero. Eu era o único passageiro no helicóptero.

KC: OK. Você viu estas crianças no campo. Você viu essas pessoas morrem. Você sabe, basicamente, quantas pessoas você está falando que foram mortas?

DC: Eu não teria idéia. Havia...

KC: Isso era, haviam aldeias lá? Quer dizer, era uma vila como...

DC: Não. Não era uma vila.

KC: OK.

DC: Foi na selva.

KC: OK. E haviam mulheres...

DC: E tinha que ter... e haviam...

KC: ...assim como os homens?

DC: Poderia ter havido. Não nos preocupamos em fazer uma contagem de corpos.

KC: Não, mas eu estou apenas... falando no geral...

DC: O que vimos foram homens.

KC: Hum hum. Soldados, eu imagino?

DC: Sim.

KC: OK.

DC: Se assim o quiseres chamar...

KC: Eles estavam armados, em outras palavras.

DC: Ah, sim. [Ri]

KC: OK. Tudo bem. Só estou tentando chegar ao...

DC: Com a arma favorita de todos, o AK47. Salvo alguns que estavam carregando M16s e M14s.

KC: Tudo bem. OK. Então... e isso foi em que ano?

DC: 1967.

KC: E você estava lá em uma operação negra.

DC: Hum hum.

KC: OK. E você tem alguma outra memória desse incidente específico?

DC: [balança a cabeça] Não.

KC: Só isso?

DC: Hão lembranças que estão tentando emergir que, ou eu estou intencionalmente evitando ou elas foram bloqueadas extremamente bem. Porque nós sabemos que o governo pode implantar memórias falsas e acabar com as memórias de toda a sua vida. Ora, se isso aconteceu comigo, eu não sei. Mas meu filho e eu conversamos. Nós estávamos falando sobre algo totalmente diferente e de repente eu senti uma luz acender. Mas, eu não posso conseguir nada para iluminar com essa luz.

KC: Você já tentou ser regredido?

DC: Não.

KC: Você está preocupado com o impacto que estas não recuperadas... memórias?

DC: Que venham. É emocionante.

KC: É mesmo? Então você está disposto... Você está disposto a ser regredido?

DC: Eu... Estou muito... seria muito difícil me hipnotizar.

KC: OK. Isso é algo que você sabe sobre si mesmo?

DC: Sim.

KC: Você estaria disposto a experimentá-lo?

DC: Certamente.

KC: Bom.

DC: Conquanto que seja aqui.

KC: Aqui em Pahrump, Nevada? Ou aqui em sua casa?

DC: Aqui na minha casa.

KC: Hum hum. Por que isso?

DC: Esta casa é um santuário para mim.

KC: OK.

DC: Posso relaxar aqui, como eu não posso relaxar em nenhum outro lugar.

KC: Você disse que viaja pelos Estados Unidos de tempos em tempos. Você tem lembranças voltando quando você está viajando?

DC: [balança a cabeça negativamente]

KC: Você se sente ameaçado de alguma forma quando está fora desta área?

DC: Não. O que acontece é... Tenho perturbação pós-stress traumática grave e tomo muitas precauções para me certificar de que eu nunca estou em um lugar onde eu possa ficar sozinho, principalmente à noite. Ou se eu for em algum lugar, encontrar alguém. Mas eu sempre tenho que telefonar quando eu chego em casa para que eles tenham certeza de que cheguei em casa.

KC: Por que? O que pode acontecer?

DC: Se eu for provocado e não tenho uma âncora como Dunc ou meu filho, eu não sei o que eu faria.

KC: Isso é por causa das suas memórias do Vietnã ou por causa do que você não se lembra sobre o Vietnã?

DC: Eu acho que é mais por causa do que eu não me lembro. Dunc pode relatar um incidente que ele teve em... Lexington?... Na lanchonete.

DO'F: Hum hum.

DC: Ele vai relatar isso mais tarde... que eu não tenho absolutamente nenhuma memória.

KC: Então, você tem perda de tempo? Em sua vida cotidiana?

DC: Não que eu seja capaz de notar. Mas tenho notado que, se eu estou trabalhando em um computador... Tempo, para mim, não faz sentido, realmente. Eu fico acordado por dias.

KC: Então você tem boa capacidade de concentração?

DC: Eu posso sem dúvida causar surpresas nas coisas, não posso?

DO'F: [rindo] Ah, sim. [ambos riem]

KC: OK. Você sabe, eu vou te contar a minha impressão. Parece que você está acostumado a dar ordens. Você estava em uma patente alta quando você estava na farda? Ou...

DC: Sargento.

K: Sargento. Então isso não é tão alto. Certo? Em termos de hierarquia militar?

DC: Não.

KC: Então, eu estou me perguntando de onde isso poderia ter vindo, se há algo... porque você disse que trabalha com computadores. Você os constrói e reconstrói?

DC: Os construo e reparo.

KC: Reparar. Isso vêm do serviço militar, esse treinamento?

DC: Alguns vêm.

KC: Alguns. Você estava... Você estava em projetos negros. Então, eles eram altamente secretos. Assim, você tinha acesso à informação, mas você não se lembra da informação?

DC: Nenhuma.

KC: É como se suas lembranças fossem extintas?

DC: Eu teria que dizer que sim, que limparam as memórias. Caso contrário, eu posso recordar as coisas acontecendo quando eu tinha três anos de idade.

KC: OK. Mas você não consegue se lembrar...

DC: Há muito tempo do serviço militar que eu tenho que perguntar onde eu estava e o que fazia. E isso só surgiu nos últimos, bom, desde que meu filho tinha 9 anos. Vinte... Ele fará 36. Digamos, há 25, 26 anos me pergunto "O que eu realmente fazia?"

KC: Você tem alguma idéia do que você fez?

DC: Bom, teria que dizer que eu não era um cara legal.

KC: OK. Estou entendendo isso.

DC: E eu realmente não sei.

KC: OK.

DC: Mas eu tenho essa lembrança muito viva do Dunc.

KC: OK.

DC: E as lembranças de ver John... em Saigon.

DO'F: Hum hum.

DC: Mas há outras lembranças que eu confirmei, que realmente estive ligado a uma base de barco rápido. Quando a base foi atingida uma vez, eu fui a última pessoa a sair da base e saí num cais, preso no trilho da vida que estava a 60 centímetros acima do convés, que estava a 60 centímetros acima da linha d'agua, preso nisso, bati com meus joelhos na trave e eles me puxaram para o barco e eu deitei e chorei por duas horas. Tenho essa memória.

KC: Onde foi isso?

DC: Quinyon.

KC: Onde fica isso?

DC: Vietnã.

KC: Hum hum.

DC: Bem no centro da costa.

KC: Então, você deveria ser muito jovem nesta altura, certo?

DC: Sim. Isso aconteceu em 1967, assim eu teria 26.

KC: Então, você veio de uma família militar? Isso...

DC: Não. Eu venho de uma família siciliana.

KC: Família siciliana? OK. [Duncan ri] OK. Mas sua família era das forças armadas?

DC: Meus irmãos eram.

KC: Mas não o seu pai?

DC: O meu pai... Não. Meu pai era dono de uma loja, uma garagem, uma padaria, duas lojas de eletrodomésticos.

KC: Então sua mãe disse que você se lembraria de algumas coisas, mas as memórias que você tem não eram exatas, certo?

DC: Isso está correto.

KC: Mas ela não quis lhe dizer algo mais?

DC: Ela apenas sorriu.

KC: Você a inquiriu?

DC: Quando minha mãe dava aquele sorriso, você não fazia perguntas. [Ri]

KC: Então, o que você acha que aconteceu? Você tem alguma idéia? Quero dizer... A sua mãe ainda está viva?

DC: Infelizmente, minha mãe morreu em 1993.

KC: E você tem um amigo chamado John que, eu estou supondo, também esteve no serviço militar com você? Ou com Duncan?

DC: Nós não estamos... Ele tinha que estar nas forças armadas, mas não temos certeza onde ele servia.

DO'F: Eu...

KC: Ele tem memórias. As lembranças dele são claras ou não?

DO'F: Na verdade não, porque ele estava me perguntando sobre algumas coisas. E eu tenho lembranças vívidas de estar talvez com 13, 14 anos e num lugar do tipo laboratório e John estava de uniforme. E havia um par de outros uniformes lá também. E ele estava basicamente tentando me dar uma ordem.

E eu tinha empurrado uma das outras crianças para fora do caminho e o estava encarando. Quer dizer, eu estava partindo para cima dele. E os outros caras, as pessoas de alta patente, estavam apenas se divertindo. Quero dizer, eles estavam morrendo de rir. Porque aqui está esse garoto de 13 anos se atracando com um afro, vocês sabem, para um cara militar é apenas uma farra.

E, como falamos anteriormente, é como montar um quebra-cabeça. Nós todos temos memórias diferentes. Algumas delas são quase idênticas e algumas não são. E quando sentamos e começamos a falar, vamos colocando-as todas juntas, então elas começam a fazer sentido.

KC: Vocês agem como se sempre tivessem se conhecido.

DO'F: É. Eu sei.

DC: Nós temos. [Ri]

KC: [a David] Quanto tempo você está fora das forças armadas?

DC: Desde de novembro... 15 de outubro de 1968.

KC: Há quanto tempo você sentiu que não tinha lembranças?

DC: Eu não estava ciente disso, realmente, até meu filho...

KC: ...fazer essa pergunta.

DC: ...em 1980.

KC: 1980. Então, uau. Algum tempo se passou até que percebeste que havia uma lacuna.

DC: E, então, eu nunca percebi o que era TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático). Mas, olhando-o agora e com a pesquisa que fiz sobre a forma como isso me afeta pessoalmente, posso olhar para os eventos que aconteceram na minha vida, sobretudo depois que eu saí, onde isso me influenciou tanto que afetou meu avanço em diferentes empresas.

KC: Como se manifesta?

DC: O que acontece é... O que tinha acontecido... eu chegaria em minha casa. Se me sentisse sendo acionado, eu viria a minha casa, fecharia minhas venezianas, fecharia as cortinas, trancaria a porta, pegaria os cães e pegaria minhas armas.

KC: Ah, é mesmo. OK.

DC: E nada nunca aconteceu.

DO'F: [ri] Eu não estou rindo porque eu acho que é engraçado. Estou rindo porque isso é quase exatamente o que eu faria.

KC: Ah, é mesmo. Então você tem algo semelhante.

DO'F: É, só que eu não tinha os animais, mas iria para um quarto, colocaria uma pistola carregada na minha mesa e apenas sentaria no escuro e esperaria.

KC: Uau.

DO'F: Aconteceu várias vezes.

DC: E o que acontece é que à noite tenho... Terei pesadelos em mais de uma ocasião. Mas com meus animais, especialmente com o meu... com este cão nativo americano jovem chamado Herk... Ele põe as patas sobre a cama e lambe meu rosto. Se ele tiver que vir do outro lado da cama, ele virá. E, porque eu sei que ele está lá, como uma segurança para mim, eu posso acordar e dizer: "Ok, estou acordado. O que eu estava fazendo?" E às vezes eu me levanto, não há nenhuma roupa sobre a cama. Quero dizer, elas, simplesmente, desapareceram. As almofadas sumiram. Elas se foram. Os cães estão no chão olhando para mim com o olhar de: "O que você fez?" [Ri]

KC: Você sente que você tem habilidades especiais que você não sabia que você tinha, como Duncan tem? Porque eu vejo que você coleciona espadas. Você sabe como usá-las?

DC: Sim.

KC: Você foi treinado para usá-las... que você se lembre?

DC: Não.

KC: É mesmo?

DC: [para Duncan] Você pode perguntar a ele.

DO'F: É idêntico. Há algo que todos parecemos compartilhar em comum que é o conhecimento de armas brancas, como usar espadas, como usar facas, como lutar com elas, defender-se contra elas. Na realidade, com a katanna [palavra japonesa, espada samurai] eu não tive, que eu me lembre, que seja do meu conhecimento, nenhum treinamento oficial. No entanto, quando vou a um Kinjitsu dojo e me exercito com um dos instrutores, a primeira coisa que eles dizem é: "Como você aprendeu a combinar dois estilos diferentes de jinjitsu?" E eu não sei. Aqui vamos nós de novo.

KC: [a David] Você parece bem... como se estivesse forte. Você ainda está forte. OK? Nessa idade, independentemente da idade que você esteja.

DC: 66.

KC: OK. Você parece ser um homem muito forte e eu só estou querendo saber se você estava ciente de que você poderia ter sido incomumente forte em sua juventude.

DC: O medo faria isso a você.

KC: OK.

DC: É a única coisa que posso dizer, é o medo que fará isso a você.

KC: Hum hum. Porque você... OK. Você sabe como se defender?

DC: Sim.

KC: OK. Você sabe como se defender usando espadas, mas não sabes como você aprendeu, né?

DC: Isso está correto.

KC: Eu suponho que você sabe usar armas.

DC: Eu tenho uma familiaridade de passagem com as armas. [Duncan ri]

KC: OK. Eu acho que você é um mestre do eufemismo, como eles dizem. Estou percebendo isso.

DC: Eu?

KC: É.

DO'F: Eu não vou me meter nisso.

KC: OK.

DC: Quer ver a minha arma de paintball? [Ri]

KC: Você sabe, eu não tenho certeza se quero ver qualquer das armas, para dizer a verdade. Onde você aprendeu a usar as armas? Você tem consciência disso do serviço militar?

DC: Eu lembro do meu irmão, meu irmão mais velho, chegando em casa do Corpo de Fuzileiros Navais, com um fuzil de calibre 22 mm quando eu tinha uns seis anos. E ele me ensinou a atirar. E eu só... Eu fiquei muito bom nisso.

KC: Quanto bom?

DC: Bom o suficiente, pois eu ainda estou aqui.

KC: Você era bom nos alvos? Você sabe o que estou dizendo? É...

DC: Não importa se o alvo é um alvo ou um ser humano.

KC: Hum hum.

DC: Quando você está em combate, é como se você estivesse contra uma figura bidimensional que pode matá-lo. O que você acha que levaria uma hora poderia ser em dois ou três minutos. Você se torna hiper-alerta. E eu tenho recordações de trocas de tiros que aconteceram. E eu ainda estou aqui.

KC: Você tem... Fostes preparado como um oficial?

DC: Não. Não é do meu conhecimento.

KC: Não é do seu conhecimento. Você sabe como conduzir um barco? ... Eu não sei... ou um navio, ou, você sabe...? [Duncan ri] O que há de engraçado nisso?

DC: O meu pai tinha barcos. Ele teve cruzadores de cabine. Ele teve barcos de corrida. Fui criado em torno de barcos.

KC: OK.

DC: Eu fui criado em torno de todos os tipos de veículos. Não há muito que eu não possa dirigir.

KC: OK. [Duncan ri]

DC: Eu não piloto um avião.

KC: OK.

DC: Eu nunca tive vontade de pilotar um avião ou helicópteros. [ambos riem]

KC: OK. Você vai ao cinema, certo?

DC: Não.

KC: Ah, não vais. Você é como Duncan. Você não vai à cinema...

DC: Eu não assisto filmes de guerra. Eu não assisto filmes de aventura. Porque isso me liga.

DO'F: É.

KC: E sobre bases subterrâneas? Você tem algum conhecimento sobre isso

DC: Eu tenho... Não. Mas eu ouvi de mais de uma fonte que você pode ir da costa de Los Angeles até quase a metade do país em um submarino.

KC: Você estava nas forças armadas, mas sua habilidade é no mundo dos computadores...

DC: Não. Eu realmente não era... Eu fiquei familiarizado com computadores, quando eu estava a serviço.

KC: OK.

DC: Naquela época o meu forte passou a ser eletrônica, guerra eletrônica, inteligência. [Sorri e faz uma pausa, considerando]

KC: O quê? O que está cruzando na sua mente agora que você não quer falar?

DC: Ah, nada de importante.

KC: OK. Agora, você está... você já assinou um juramento de sigilo de qualquer tipo? Do seu conhecimento.

DC: Não, mas eu provavelmente fiz.

KC: Você se lembra de tudo o que é ultra-secreto que você não está dizendo ou que não diz as pessoas?

DC: Ah, fora do que eu interceptei e identifiquei uma série de sinais como de plataforma quando eu estava a serviço. A guerra eletrônica era o que eu era realmente bom. Eu podia ouvir um sinal do outro lado da sala e dizer o que era e se eu soubesse de que parte do país, eu provavelmente poderia dizer qual era a  plataforma.

KC: Hum. Interessante. E sobre a guerra psicotrônica?

DC: [muito sombrio] É uma coisa muito real.

KC: Você acha que você esteve envolvido nisso?

DC: Provavelmente estive. Mas, eu não tenho qualquer lembrança disso? Não.

KC: Mas, você acha que está bem informado sobre isso. [Duncan ri]

DC: Eu diria que fui bem informado sobre isso.

KC: OK. Quando você ouviu a estória de Duncan, isso disparou alguma coisa em você?

DC: Às vezes disparará. O interessante é que ambos sofremos ataques psíquicos e, quero dizer, apenas ataques maldosos, que nos manterão ligados por dias.

KC: Você é vidente?

DC: Onde você estava às 01:45, terça-feira? [pausa muito longa, nenhuma resposta de Kerry] Que parte... Onde você estava geograficamente às 2:15?

KC: Um... muito perto. [Olha para fora câmera] Estávamos chegando aqui, não estávamos?

DC: Quão perto vocês estavam de Shoshone?

K: Nós estávamos em Shoshone em um momento.

DO'F: Você acetou. OK, você acertou.

DC: Eu disse: "Eles estão muito perto. Eles estão em Shoshone." [Kerry acena com a cabeça que sim.] Ás 2:15 eu saí.

KC: Então você está dizendo .... Você estudou a visão remota?

DC: Não.

KC: Do seu conhecimento, você estudou a visão remota?

DC: Não.

KC: E é frustrante para você, não saber o que aconteceu com você?

DC: Não.

KC: Não é?

DC: E deixe-me dizer-lhe porque não é. Eu acredito que essas lembranças serão reveladas quando chegar a hora certa para mim, ou se eu cavar o suficiente. Eu me mantenho ocupado com meus cachorros, meus lobos, os computadores e eu tenho bons amigos que me conhecem. Eles nem sempre me entendem e isso não é importante para eles.

KC: Mas, você tem lembranças que você compartilha, mas você não sabe o que elas eram. Elas eram, bloqueadas, Vietnã e... Qualquer outra coisa além do Vietnã?

DO'F: São Tomás.

DC: São Tomás.

KC: São Tomás.

DC: Nós tivemos que ir até São Tomás a negócios. E nós estamos caminhando através do mercado local e há a ilha de São Tomás, que nós dois conhecemos.

DO'F: Hum hum.

DC: E quando estávamos andando no mercado, uma mulher olhou para Duncan e disse: "Eu não te vejo há muitos anos e eu não vejo você a cerca de 20 anos".

KC: Uau. Então, ambos foram reconhecidos.

DC: Sim.

DO'F: É.

DC: Por mais do que uma pessoa.

KC: Uau.

DC: E isso... Nós conversamos sobre isso e eu não tinha nenhuma lembrança de qualquer dessas pessoas. E olhamos para esta ilha e eu disse: "Do outro lado há uma base de treinamento."

DO'F: Hum hum. E lá estava ela.

DC: E lá estava.

KC: Que forças armadas a ocuparam?

DC: Nós não temos certeza.

DO'F: Nós não temos certeza.

KC: É mesmo.

DO'F: Honestamente, eu não acho que era força armada regular.

DC: Não. Era... Nosso melhor palpite é que há um grupo dentro das forças armadas que se dedica totalmente a guerra psicológica, a guerra psi.

KC: São Tomás. Vocês não sabem que tipo de militares ou projetos negros estão lá agora?

DC: Não. Mas eu noto que eu estive em campos de batalha em muitas partes do mundo. E eu posso atravessar esses campos de batalha e posso experimentar e ouvir em minha mente... Era como se... isso foi apontado a mim, quando eu e um amigo meu andavamos por Pickett's Charge em Gettysburg e olhei para Lynn e Lynn olhou para mim e nós dois estávamos chorando porque era tão... A guerra é uma coisa tão lamentável, provocada pelos banqueiros para enriquecerem as empresas e a si mesmos. Nunca houve uma razão lógica para uma guerra. Nenhuma. E a guerra contra o terrorismo, para mim, é uma farsa. É para controlar este país e prepará-lo para a Nova Ordem Mundial.

KC: Você é um especialista em eletrônica. Você acha que você está sendo vigiado ou grampeado?

DC: Não há nenhuma dúvida em minha mente. E você sabe o quê? Eu realmente não me importo.

KC: Você se acha sabendo coisas que você não sabia que você sabia em termos de eletrônica?

DC: [olha para Duncan e ri]

DO'F: Sim.

DC: Eu gostaria de entender tudo o que eu sei.

[ambos os homens pausam, olham para o lado, de onde vem um som]

DO'F: Um pulso passou através do altofalante.

DC: É.

KC: A televisão se ligou sozinha?

DO'F: Não. Um pulso passou por...

DC: Um pulso passou. Um pulso psíquico atravessou esta casa.

KC: Agora?

DC: Hum hum.

KC: É isso que aquele som era?

DC: Sim. Gostaria de saber se você está gravando qualquer coisa.

KC: Vocês estão me convencendo que vocês se conhecem há um longo tempo. O que aconteceu depois disso que seria uma associação entre vocês dois?

DC: Deixe Duncan explicar-lhe algo. Ele cruzou com um cavalheiro em uma lanchonete em Lexington, Kentucky.

KC: OK.

DO'F: Foi, ah... Não me lembro exatamente onde foi. Eu sei que foi em Lex, mas eu não me lembro. Eu estava sentado lá apenas tomando uma xícara de café. O cara aparece. Em um terno. Senta-se. E ele olhou para a tatuagem e disse: "Essa é uma tatuagem militar?" Eu disse: "Não, esse é o meu próprio pequeno projeto", como sempre digo. Ele disse: "Bom, eu passei algum tempo na Marinha." Eu disse: "Você já ouviu falar de Dave Corso?" Ele recuou e disse, "Dave Corso? Você conhece Dave Corso?" Eu disse: "Sim, senhor, eu conheço." E ele simplesmente se levanta e vai embora.

KC: Vamos lá. Você é psíquico. Qual foi a sua impressão?

DO'F: Ele estava com medo. O homem estava apavorado.

KC: Ele não foi a única pessoa que veio até você, ou você diz que conheceu... porque você começou a falar de um outro incidente.

DO'F: Certo. E eu estou totalmente esquecido desse e isso acontece de vez em quando. E lembro-me de tê-lo dito a você, mas daí em diante está totalmente branco.

KC: [a David]: O que você lembra disso?

DC: Que de alguma forma o meu nome foi mencionado e o cara disse: "Dave Corso?" Ele me descreveu e até as tatuagens para Dunc e disse: "Esse foi o melhor atirador dos Fuzileiros Navais no Vietnã." E eu não tenho, absolutamente, nenhum lembrança dele.

KC: Hum hum.

DC: Mas, outra coisa que é interessante sobre Pahrump... Hão mais de 200 veteranos, veteranos do Vietnã, que vivem nas colinas ao redor daqui. Neste vale existem mais de 800 ex tipos de Forças Especiais.

KC: Então, aqui atrai isso...

DC: É o maior contingente conhecido do que em qualquer outro local onde existem muitos ex tipos de Forças Especiais.

KC: Bom, isso foi uma exploração fantasticamente interessante e vocês estão realmente revelando muita confiança ao nos permitir entrar nessa casa, vocês sabem, nestas condições, e fazer-lhes essas perguntas. E eu só quero realmente agradecer a ambos.

DC: Não espere que sua vida se torne mais fácil.

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Bill Ryan

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